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terça-feira, 5 de março de 2013

Citação Literária: Pipocas.

Depois de ter o imenso prazer de conhecer a obra dessa autora através de um amigo, sempre li esse texto que mostra a realidade vital, pelo menos a minha realidade. Caso queiram ler todo o texto, desde o começo, clique aqui. Abaixo cito a composição da melhor estrofe do texto. Segue-se:

[...] Pesquisando sobre o tema, descobri que o milho que não estoura se chama piruá. Sabe aquele milho que sobra na panela e se recusa a virar um floquinho branco, macio e alegre? Piruá. E aí tenho que concordar com o escritor Rubem Alves, que já escreveu sobre o assunto: tem muita gente piruá neste planeta. Gente que não reage ao calor, que não desabrocha. Fica ali, duro, triste e inútil pró resto da vida. Não cumpre sua sina de revelar-se, de transformar-se em algo melhor. Não vira pipoca, mantém-se piruá. E um piruá emburrado, que reclama que nada lhe acontece de bom. Pois é. Perdeu a chance de entregar-se ao fogo, tentou se preservar, danou-se. [...]
Martha Medeiros ( Texto tirado do livro "Doidas e Santas" )

Isso representa uma mera realidade de outrém e que agora posso dizer que representa também a minha realidade, pois acho que falta mais expressão e atitude das minhas ações. Sempre me mantive "obscuro" por motivos aceitáveis, agora que penso que adquiri liberdade, sinto-me preso dentro de mim mesmo, como citou Fernando Pessoa: perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto. Me revelo, desde quando me entendo por gente, como um conflituoso e complexo labirinto, cabe a alguém, querer me explorar.

terça-feira, 27 de março de 2012

Identificação literária

Desde criança que tive a tendência para criar em meu torno um mundo fictício, de me cercar de amigos e conhecidos que nunca existiram. (Não sei, bem entendido, se realmente não existiram, ou se sou eu que não existo. Nestas coisas, como em todas, não devemos ser dogmáticos.) Desde que me conheço como sendo aquilo a que chamo eu, me lembro de precisar mentalmente, em figura, movimentos, caráter e história, várias figuras irreais que eram para mim tão visíveis e minhas como as coisas daquilo a que chamamos, porventura abusivamente, a vida real.
(Fernando Pessoa em carta a seu amigo Adolfo Casais Monteiro)
 

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